“Quando pensámos em como comunicar o Salgo, a resposta mais óbvia era também a mais errada: construir uma imagem perfeita, escolher as fotografias mais bonitas dos pratos, escrever descrições que soassem a guia gastronómico.”
Fizemos o oposto.
Decidimos mostrar o que realmente acontece, antes do prato chegar à mesa. O chef que acorda cedo para ver o que o mar trouxe. O agricultor de quem compramos os legumes e que conhecemos pelo primeiro nome. A conversa com o pescador sobre o que vale a pena servir hoje. Esse é o nosso marketing. E é, também, a nossa cozinha.
O dia a dia é a história.
Há uma ideia instalada no mundo da restauração de que a comunicação tem de ser polida, distante, aspiracional. O restaurante como palco, o chef como personagem, os pratos como obras de arte intocáveis.
No Salgo, o chef é a voz mais honesta que temos. Não como uma estratégia de personal branding, mas porque é quem melhor sabe o porquê de um prato existir. Quem foi buscar aquele ingrediente. O que o tornou especial naquele dia. O que correu pior e o que surpreendeu.
Quando partilhamos esse dia a dia nas redes sociais, em conversas, nas histórias que contamos à mesa, não estamos a fazer publicidade. Estamos a mostrar aquilo em que acreditamos. E as pessoas sentem essa diferença.
Dar palco a quem faz a diferença.
Uma das coisas que mais nos move no Salgo é a ideia de ser uma voz para os produtores locais. Para o pescador de Santo André. Para o agricultor da região. Para quem trabalha a terra e o mar com o mesmo cuidado com que nós trabalhamos a cozinha.
Estas pessoas existem muitas vezes na sombra, o seu trabalho chega aos pratos, mas raramente chega às conversas. Queremos mudar isso. Queremos que quem come no Salgo saiba de onde vem o que está a comer. Não como informação de menu, mas como parte de uma história que começa muito antes de entrar pela nossa porta.
Quando partilhamos o nome de um fornecedor, quando mostramos o seu produto, quando falamos do que aprendemos com ele sobre uma espécie, uma estação, uma técnica, estamos a fazer exatamente o que acreditamos que a gastronomia deve fazer: criar relações, preservar memória, dar valor ao que é local.
Mais do que um restaurante a comunicar. Uma região a ganhar voz.
Há algo que gostamos de pensar quando imaginamos o impacto que o Salgo pode ter: cada vez que falamos de um produtor local, de um ingrediente da lagoa, de uma tradição gastronómica do Alentejo Litoral, estamos a colocar esse lugar no mapa de uma forma que nenhuma brochura turística consegue.
Porque não é uma promoção. É uma recomendação. É alguém que conhece, que usa, que acredita, a partilhar com quem quer saber mais.
Queremos que o Salgo seja, com o tempo, uma espécie de embaixador informal desta região. Não por decreto, mas por acumulação de histórias, de relações, de pratos que as pessoas se lembram e querem repetir. É esse o marketing que nos interessa fazer. Lento, consistente, e com raiz.